O longa-metragem JARDIM DOS SILÊNCIOS, dirigido e roteirizado pelo cineasta baiano Henrique Dantas, estreia no Festival do Rio 2026. Produzido pela Hamaca Filmes e Muiraquitã Filmes e coproduzido pela empresa italiana La Sarraz Pictures, o filme é protagonizado por Fabrício Boliveira e acompanha Tuã, um médico oncologista baiano que deixou o Brasil ainda criança ao lado da mãe para viver na Europa, fugindo da ditadura militar. Anos depois, após a morte da mãe, ele passa a lidar com a própria dificuldade de reagir à perda.

Quando descobre que sua avó materna está com um câncer terminal, Tuã volta ao Brasil e se reencontra com sua família, com suas memórias e com acontecimentos de um passado do qual permaneceu distante por muitos anos. O elenco também reúne Helena Ignez, Luiz Pepeu e a atriz italiana Federica de Benedittis.

Henrique Dantas faz sua estreia na direção de um longa-metragem de ficção com JARDIM DOS SILÊNCIOS. O realizador baiano construiu sua trajetória até então principalmente no documentário e dirigiu títulos como Filhos de João, o Admirável Mundo Novo Baiano, Sinais de Cinza, A Noite Escura da Alma, Dorivando Saravá, o Preto que Virou Mar e Anti-Heróis do Udigrúdi Baiano.

O projeto de JARDIM DOS SILÊNCIOS também parte de uma experiência pessoal do diretor. Em 2012, Dantas perdeu 14 pessoas de seu círculo afetivo em um período de quatro meses e passou a pensar sobre as diferentes formas de reação à morte e ao luto. “A morte é uma grande provocadora dos nossos silêncios”, afirma o cineasta.

Segundo Dantas, após as primeiras perdas, ele percebeu que sua própria reação à morte havia mudado. A ausência de resposta diante das mortes seguintes despertou questões que mais tarde seriam incorporadas ao filme: até que ponto o silêncio pode funcionar como uma forma de proteção diante da dor e como cada pessoa aprende a conviver com a morte do outro.

Essa reflexão atravessa a trajetória de Tuã, que também se vê diante de sucessivas experiências de perda e da dificuldade de expressar o que sente. Para o diretor, o filme parte justamente desse processo de aprendizado, ao acompanhar um personagem que precisa voltar à própria história e reconstruir vínculos familiares enquanto se prepara para enfrentar uma nova morte.

O diretor também destaca a escolha por colocar personagens negros no centro da narrativa. Dantas aponta que a presença de um médico e de um fazendeiro negros é parte de uma decisão consciente de representação e está ligada à sua própria experiência como roteirista e diretor negro, como observador da inexistência dessas pessoas na sociedade - na sua infância, em Ilhéus, ele nunca foi atendido por um médico negro e nunca conheceu um fazendeiro negro.

Filmado em 2023, em Ilhéus, na Bahia, e em Orvieto, na Itália, o longa é uma coprodução entre Brasil e Itália. O projeto recebeu investimento do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA/BRDE), foi contemplado pela convocatória de coprodução do Programa Ibermedia e recebeu, na Itália, recursos do Contributi Selettivi, do Ministero della Cultura. Durante seu desenvolvimento, passou ainda pelo Málaga Festival Industry Zone, pelo BrLab CoPro e pelo Apulia Film Forum, todos em 2021.

Antes de chegar ao Festival do Rio, o filme teve sua première mundial em maio de 2026 no American Black Film Festival (ABFF), em Miami, nos Estados Unidos, principal festival internacional dedicado ao cinema negro, que está em sua 30a edição. JARDIM DOS SILÊNCIOS integrou a International Narrative Feature Competition, seção competitiva dedicada a longas internacionais, ao lado de produções de diferentes países.

A distribuição de JARDIM DOS SILÊNCIOS no Brasil será realizada pela BRETZ FILMES, e conta com apoio do Governo do Estado de São Paulo, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, do Governo Federal, do Ministério da Cultura e da Lei Paulo Gustavo. A estreia nacional acontecerá na 28ª edição do Festival do Rio, que será realizada entre os dias 1º e 11 de outubro, no Rio de Janeiro.

Jardim+dos+Silêncios+no+Rio.webp