Talissa Berchieri
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FilmeJornal Ribeirão2024

Eu não detestei Coringa: Delírio a Dois

Capa de Eu não detestei Coringa: Delírio a DoisDOC. 006
Contexto editorial

Se você teve curiosidade de ler este texto, talvez já saiba que Coringa: Delírio a Dois é considerado um fracasso pela crítica e pelo público. Pessoas seguem decepcionadas pelo que esperavam ser o “filme do ano”. Achei ruim? Sim! Detestei? Não! Teasers e trailers foram enchendo o público de expectativa. A escolha de uma artista com a potência da Lady Gaga não deixou dúvida: o longa seria um sucesso estrondoso. Aí veio o Festival de Cinema de Veneza, momento em que a imprensa fez questão de divulgar que, se os aplausos ao brasileiro Ainda Estou Aqui duraram 10 minutos, Coringa ultrapassou essa aclamação, marcando 11 minutos. Como isso poderia ser ruim? Para quem estava em outro planeta, vamos ficar todos na mesma página! Coringa: Delírio a Dois é a sequência do longa sobre Arthur Fleck, um palhaço com problemas mentais e uma origem familiar bagunçada, que, após ser demitido do emprego, assume uma postura violenta e comete uma série de assassinatos, tornando-se o Coringa. Agora, a continuação mostra o personagem preso em um hospital psiquiátrico, onde conhece Harleen "Lee" Quinzel, vivida brilhantemente por Lady Gaga. Os dois acabam se apaixonando e entram numa relação caótica, que circula entre obsessão, romantismo e loucura. Tudo poderia dar certo e, sim, poderíamos ter o filme do ano! Só que, por alguma razão, o experiente diretor Todd Phillips, que também dirigiu o Coringa de 2019, decidiu “comprar a ideia” de transformar o longa em um MUSICAL, e aí tudo começa a ir por água abaixo. Adoro o gênero musical, não é preconceito. Mas a verdade seja dita: é sempre muito arriscado! Tudo tem que estar em perfeita sintonia, não basta colocar uma das melhores artistas musicais da nossa geração ao lado de um ator versátil como Joaquin Phoenix, que já demonstrou ser um ótimo cantor em Johnny & June (2005). É preciso um roteiro bem amarrado, com canções que façam sentido e melodias envolventes. E, infelizmente, isso não é o que testemunhamos. Na terceira música, minha cabeça já gritava: “MEU DEUS, O DELÍRIO SE TORNOU COLETIVO NESSE FILME”. O longa naufragou só por causa das músicas? Não! O roteiro também é superficial, sem aprofundar a história de Lee, que eu adoraria saber mais. Mesmo com tudo isso, vou explicar por que não detestei: a química entre os dois atores é incrível! Pode não ser o filme do ano, pode não ter as melhores músicas, e hoje eu já posso ter esquecido de quase tudo, mas saí do cinema impactada pela entrega desses dois talentos. A dedicação de ambos na construção de Arthur e Lee merece 11 minutos ou mais de aplausos. Um filme não é apenas o que vemos na tela, há muito trabalho envolvido. Não podemos resumi-lo a uma expectativa frustrada. Lady Gaga, com ainda poucos trabalhos como atriz, é visceral, intensa e, sem dúvida, a melhor parte de Coringa: Delírio a Dois. Vale a pena? Vale!

Origem
Jornal Ribeirão
Ano
2024